Falando sobre como a indústria cultural global (cinema, moda, publicidade, música, entre outros) influência na sexualização e fetichização das mulheres asiáticas, a gente tem o termo yellow fever pra ilustrar isso, que surgiu para descrever uma atração sexualizada ou romântica excessiva, em geral de homens não asiáticos, por pessoas de origem asiática, particularmente mulheres. Isso não se trata apenas de interesse individual, mas de um fetiche racial, ou seja, um desejo baseado em estereótipos, e não na pessoa real. O criador de conteúdo Leo Hwan explica, em uma entrevista à CNN, que:
“Fetichização é basicamente você reduzir uma pessoa ou um grupo de pessoas que tem dimensão, que tem sonhos, tem medos, que tem profundidade, em poucos aspectos simples.”
Toda essa ideia é reforçada nos filmes, séries ou músicas da mídia ocidental, incluindo o cinema de Hollywood. No filme Meninas Malvadas, por exemplo, há uma cena na cafeteria que mostra a divisão de grupos, onde existem os “asiáticos nerds” e as “asiáticas descoladas”. À primeira vista, essa cena parece inofensiva, no entanto, quando algumas meninas são chamadas de “descoladas”, visualmente elas são excessivamente sexualizadas por meio de suas roupas e gestos. A personagem Trang Pak, por exemplo, levanta a blusa para mostrar sua barriga.
Além disso, toda a narrativa envolvendo Trang e Sun, mulheres asiáticas, gira em torno de sua relação amorosa com o professor branco. Elas não têm uma história individual; são retratadas apenas como amantes desse professor. Tudo isso reforça a ideia de que suas identidades dependem da aprovação e do desejo de um homem branco.
Outro filme que reforça essa ideia é “Memórias de uma Gueixa” que mostra a vida de Chiyo, uma menina pobre vendida e treinada para ser gueixa. A obra é criticada por sexualizar e distorcer a cultura japonesa, apresentando uma visão ocidentalizada e erotizada das gueixas, tratadas como objetos de desejo em vez de artistas tradicionais. No Japão, o filme foi visto como feito “para o ocidente ver”, reforçando mitos e confundindo gueixas com prostitutas.
Mesmo que os homens heterossexuais não assistam a esses filmes estereotipados, há algo que eles provavelmente consomem em segredo: sites pornográficos. Para vocês terem uma ideia, “japonesa” foi a palavra-chave mais buscada por homens em 2019 no site Pornhub e, em 2022, ficou em segundo lugar. Todo esse mercado pornográfico frequentemente perpetua a ideia de que essas mulheres são sexualmente objetos “diferentes”, disponíveis para o consumo masculino.
E por que a indústria pornográfica não para de produzir esses tipos de conteúdo? Porque gera lucro, essa indústria movimenta bilhões e como a pornografia asiática frequentemente está entre os mais procurados, os produtores e plataformas são incentivados a repetirem esse tipo de conteúdo, independentemente do impacto social que ele provoca. Há uma ausência quase total de políticas que impeçam a produção e a divulgação de conteúdos que reforcem preconceitos raciais ou que reduzam mulheres a caricaturas. Como a prioridade é o lucro, há pouco ou nenhum questionamento ético sobre o tipo de imagem que se constrói a partir dessas representações.
Além da indústria pornográfica, os animes japoneses também retratam personagens femininas de forma sexualizada. Muitas vezes, elas são criadas para se encaixar em moldes que apelam à fantasia masculina. Alguns exemplos de anime são Kakegurui, Bunny Girl Senpai e Demon Slayer. Todos esses animes mostram personagens femininas com corpos desenhados de maneira exagerada para chamar atenção sexual: elas costumam ter seios enormes, quadris muito largos ou nádegas exageradas, além de roupas e poses que destacam essas partes do corpo.